Parte 11: O bom Pastor da a vida por suas Ovelhas

Parte 11: O bom Pastor da a vida por suas Ovelhas


Diante da situação agitada de Varsóvia, ele expõe ao Czar, em decisão, a sua opinião: "Com todo o coração desejo colaborar para que haja um pacífico desenvolvimento do meu povo no seu bem, e não pretendendo apoiar nenhuma política (...)" E com relação à pergunta feita pelo Czar sobre uma eventual revolta no reino, Felinski responde: "Se o povo, porém, não quiser levar em conta aquilo que eu sustento e atrair as perigosas consequências da repressão, eu cumprirei o dever de Pastor e condividirei a desventura do meu povo, ainda que, eu mesmo, me tornasse causa da minha desgraça".

As respostas tão diretas e seguras do Arcebispo, livres de qualquer ambiguidade, agradaram ao monarca, mesmo se esta última desse a entender que Felinski nunca estaria sob sua dependência.

A sagração teve lugar no dia 26 de janeiro de 1862, na Igreja de São João de Jerusalém, em Petersburgo, pelas mãos do Arcebispo Waclaw Zylinski, Metropolita de Mochylew, assistido pelo Bispo Aleksander Beresniewicz.

Esta excepcional cerimônia contou com a participação dos representantes do Cabido da Catedral de Varsóvia, de todo o clero do lugar, dos nobres católicos, de multidão de fiéis, e também contou com a presença oficial de alguns ministros e de uma parte do corpo diplomático, acreditado junto ao império russo. A cerimônia teve, assim, um desenvolvimento solene e grandioso.

Durante o rito, o novo Arcebispo pronunciou o juramento de fidelidade ao Papa e, em seguida, ao Czar e a seu filho, sucessor ao trono, diante dos ministros Pedro Walujew e Zymowski.

Ao término da cerimônia, o Arcebispo Zylinski fez uma acolhida a todas as personalidades presentes, em nome do neo-consagrado.

Felinski passou parte do seu dia com as irmãs e os meninos do orfanato, aos quais ofereceu abundantes guloseimas. À tarde, esteve com seus alunos do Seminário.

Alguns dias depois de sua sagração, precisamente no dia 31 de janeiro de 1862, depois de ter organizado as suas atividades, deixou Petersburgo.

A viagem para Varsóvia foi longa e cheia de dificuldades. Teve que atravessar diversas regiões da Prússia e, enfim, aos oito de fevereiro chega a Czestochowa, onde queria permanecer todo um domingo para pedir a Nossa Senhora de obter-lhe de Jesus força e luz para sua próxima missão de Bispo. Mas um telegrama do Governador, que solicitava sua presença em Varsóvia, apressou sua partida, e assim, chegou à capital no dia 10 de fevereiro.

O Arcebispo Felinski, talvez para evitar as possíveis homenagens que receberia com a sua chegada, não tomou o trem indicado pelo Governador, mas escolheu um horário diferente, chegando com seis horas de atraso.

Todavia, durante sua viagem, não faltaram, nas pequenas estações, grupos de fiéis que acorriam para saudá-lo.

Na estação de Varsóvia, devido à mudança de horário que ele fez, permaneceram para recebê-lo apenas alguns sacerdotes e poucas pessoas.

O Governador, com o fim de evitar qualquer tipo de manifestação, mandou apanhá-lo com uma berlinda escoltada por soldados, mas o Arcebispo preferiu o convite do conde Zamojski, e com sua berlinda chegou ao palácio.

No palácio episcopal, “a sua casa”, ele não encontrou ninguém que o esperasse, mas somente uma atmosfera de silêncio e de grande tristeza.

Assim iniciou sua missão, que seria marcada de sofrimentos e o conduziria, depois de alguns meses de intenso trabalho, ao exílio, na distante Sibéria.


Trazendo para a nossa realidade:
A trajetória de São Zygmunt Szczęsny Feliński nos convida a refletir sobre a coragem de assumir compromissos verdadeiros com a nossa comunidade e com os nossos valores, mesmo quando o cenário ao redor é incerto ou adverso. Assim como ele escolheu caminhar lado a lado com seu povo — assumindo riscos e priorizando a solidariedade, a fé e o acolhimento aos mais necessitados —, somos chamados em nossa vida diária e em nossa herança cultural a manter firmes a nossa identidade e os nossos princípios. Preservar nossas raízes, apoiar uns aos outros nos momentos de transição e agir com retidão diante dos desafios são atitudes que constroem pontes duradouras e fortalecem o espírito coletivo que nutrimos com tanto carinho.

Fonte: Trecho extraído da obra Biografia de São Zygmunt S. Feliński, de autoria de Danuta Fudali.
Pesquisa e Publicação: Ir. Isa Carolina Poplavski
Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria
Associação São Zygmunt Feliński

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