Biografia de São Zygmunt S. Feliński - Parte 10
Biografia de São Zygmunt S. Feliński
PARTE 1: A Escolha do Arcebispo de Varsóvia e a Intervenção do Governo
A subida ao trono de Alexandre II e as promessas feitas pelo governo ao povo polonês, antes da guerra da Crimeia, através das quais havia sido assegurada uma certa independência em troca de uma neutralidade nos confrontos, reacenderam as esperanças de liberdade nos corações do povo polonês, tanto que se acalmaram os tumultos. Assim, o novo monarca foi acolhido com cordiais boas vindas e com um sincero entusiasmo, na esperança de obter as mudanças desejadas. Mas, como estas promessas não foram mantidas, a desilusão do povo foi grande e, consequentemente, começou a reagir contra o monarca.
Em cinco de outubro de 1861, morreu o Arcebispo Metropolita de Varsóvia, Antoni Fijalkowski. Os patriotas não perderam a ocasião para organizar uma grande manifestação provocatória, reunindo na capital muita gente de fora, de modo que o funeral do Arcebispo se transformou em manifestação patriótica. Então o governador, Karol Lambert, no dia 14 de outubro, decidiu proclamar o estado de guerra, através do qual todos os movimentos revolucionários foram submetidos ao julgamento de um tribunal apropriado.
Antes que o estado de guerra começasse a vigorar, os responsáveis das diversas organizações nacionais provocaram uma outra manifestação. Os poloneses reuniram-se nas igrejas para rezar pela sua Pátria, sem levar em conta a proibição feita a eles pelo governo. O exército militar, então, cercou as duas maiores igrejas de Varsóvia, a Catedral e a Igreja dos Bernardinos, com o fim de prender os fiéis quando saíssem do templo. Como estes não se decidiram a sair, os militares, por ordem do general Gerstenzweig, entraram nos lugares de culto, prenderam 1500 homens e mataram também algumas pessoas.
Este tristíssimo fato provocou, no dia seguinte, o fechamento de todas as igrejas de Varsóvia, por ordem do administrador da Arquidiocese Antoni Bialobrzeski.
Quando as repetidas tentativas por parte do governo de convencer o administrador arquidiocesano para decretar, da sua prisão, a reabertura das igrejas, e a sucessiva pressão sobre o Bispo Jan Dekert para nomear um novo administrador, mostraram-se inúteis, então o tribunal de guerra condenou à morte o próprio administrador e mandou prender ou exilar numerosos padres envolvidos neste protesto.
A repressão tornou-se tão pesada que levou à irritação o espírito de todos os habitantes de Varsóvia.
Este conjunto de circunstâncias e o ambiente incandescente criados depois das duras repressões despertaram uma insólita pressa, por parte do governo, em nomear o sucessor do Arcebispo Fijalkowski que, com sua morte, havia deixado vacante a sede episcopal de Varsóvia.
O margrave Wielopolski e os ministros do Czar discutiram sobre a oportunidade de nomear como novo Arcebispo uma pessoa equilibrada, que soubesse aplacar os ânimos exaltados da população de Varsóvia, tendo em vista a situação turbulenta existente no Reino Polonês e, ao mesmo tempo, que ele oferecesse uma certa segurança ao governo.
Foi apresentada a candidatura de Felinski a Wielopolski pelo seu amigo padre Konstanty Lubienski.
Wielopolski, depois de um breve colóquio com Felinski a respeito do trabalho a desenvolver junto à Academia Espiritual e do andamento da paróquia católica de Petersburgo, e ainda a respeito da organização do orfanato, teve uma audiência com o Czar Alessandro II, ao qual apresentou a sua candidatura. O monarca a submeteu ao parecer de seus ministros, que aprovaram prontamente, dado que dois deles, Czewkin e Mayendorf, conheciam pessoalmente Felinski e prezavam muito a sua atividade caritativa. Os demais não tinham nenhuma objeção a fazer contra ele.
No dia seguinte após este acordo, Pe. Lubienski, tendo-o sabido antecedentemente, comunicou a notícia a Felinski, que nada sabia.
o próximo artigo, confira como o Vaticano recebeu a indicação de Feliński, o encontro decisivo com o Czar e a sua resposta memorável diante do conflito.
Fonte: Trecho extraído da obra Biografia de São Zygmunt S. Feliński, de autoria de Danuta Fudali.
Pesquisa e Publicação: Ir. Isa Carolina Poplavski
Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria
Associação São Zygmunt Feliński



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