A preparação ao sacerdócio e os primeiros anos de atividade em Petersburgo (2/2)
Depois de sua consagração sacerdotal, Felinski desenvolve seu trabalho como vigário em Petersburgo, na paróquia de Santa Catarina, formada por 25 mil católicos de diversas nacionalidades. Ouvia confissões e pregava em língua polonesa. Além disso, nas escolas dominicanas ensinava latim nas cinco classes masculinas, e religião, em língua francesa, nas classes femininas.
Não recebia nenhum salário, somente as ofertas pela celebração da Santa Missa; por isso era fácil observar o voto de pobreza. Ele se dedicou com muito amor também às obras de caridade, em auxílio dos jovens pobres, carentes de assistência espiritual e apoio moral e material.
Padre Lubienski, admirando o seu incansável trabalho caritativo, no outono de 1856 transferiu-se por alguns meses para Varsóvia, confiando-lhe a direção do asilo chamado “Família de Maria”.
Este acontecimento foi para o jovem sacerdote Felinski muito significativo, porque marcou o início de suas numerosas obras de beneficência, que floresceram, aos poucos, graças à sua constante vontade de fazer o bem. De fato, impulsionado por sua grande compaixão para com os últimos, vem em socorro, com paternal solicitude, dos órfãos, oferecendo a sua generosa ajuda aos abandonados, aos anciãos. Deu vida a um Asilo para pobres da religião católica romana.
Com o fim de dar estabilidade a todas estas suas iniciativas de caridade e incrementá-las sempre mais, ele fundou, em 1857, uma Congregação religiosa feminina, a qual deu o nome de “Família de Maria”. Como o sistema político não permitia fundar novas Congregações, desenvolveu seu trabalho como um Instituto de Beneficência.
Neste período, ocorre algo que faz Felinski retornar à sua diocese de origem. O Bispo Borowski, de Petersburgo, ao participar da entrega do pálio ao Arcebispo Zylinski, o Metropolita que havia sucedido ao Arcebispo Holowinski, exigiu logo o retorno de Felinski para a sua diocese, seja pelos seus dotes não comuns que o tornavam um sacerdote de grande valor, seja para aproximá-lo mais da família, estando sua mãe com a saúde frágil. Mas o novo Metropolita Zylinski se opôs, querendo que o jovem sacerdote permanecesse ainda, por algum tempo, em Petersburgo e propõe às autoridades locais a candidatura de Felinski para ser nomeado capelão da Academia Espiritual. A proposta foi aceita no dia 17 de junho de 1857.
Assim, Felinski foi designado para a capelania, e foi-lhe confiado também o cargo de padre espiritual dos seminaristas da Academia. Dois anos mais tarde, em 1860, tornou-se titular da cátedra de filosofia na mesma Academia.
Por conseguinte, nos quatro anos e meio de permanência na Academia (desde 1857 ao primeiro semestre de 1862), ele, com seu intenso trabalho educativo, preciso e válido, pôde desenvolver para com todos os estudantes, provenientes de várias dioceses do Império Russo, uma ação verdadeiramente eficaz na sua formação humana e sacerdotal.
São recordadas, a este propósito, as conversas vespertinas com os seminaristas, conservadas, em parte, por seu aluno Henryk Kulwanowski, que lhe deu o nome de “serões”.
Estas palestras tocavam em vários assuntos: teologia moral, história e política. Felinski expunha de modo claro e exato a atual situação da Igreja na Europa, particularmente no Império Russo. Sugeria aos jovens seminaristas quais seriam as atitudes a tomar com as autoridades eclesiásticas e com as civis. Como comportar-se, caso surgissem divergências entre direitos da Igreja e as ordens emanadas da autoridade czarista. Ilustrava os graves problemas ligados à emergência polonesa. Não esquecia, naturalmente, de expor aos estudantes qual deveria ser o comportamento do sacerdote, na paróquia, no anúncio evangélico e no apostolado. Teria que ser autêntico, isto é, segundo a vontade de Deus! Tudo era comprovado por exemplos, seguidos da história da própria vida.
Entre todas suas atividades, as mais amadas foram aquelas ligadas à Congregação da Família de Maria. Isto se deduz das cartas enviadas à sua mãe, onde ele se detinha, sobretudo, em descrever o seu assíduo trabalho no Asilo e na própria Congregação. Confiava-lhe as suas preocupações relativas às responsabilidades e aos problemas econômicos a enfrentar, de tal maneira que tudo procedesse do melhor modo possível e conseguisse contínuo desenvolvimento.
Justamente neste período de trabalho intenso para ele, e também cheio de satisfação pelos bons resultados obtidos na realização de suas obras, chegou, como um raio do céu sereno, a tristíssima notícia da inesperada morte de sua mãe, para ele sempre querida, o sustentáculo de sua vida. A dor foi ainda mais profunda e forte pelo fato de que, por causa de seus empenhos e da distância, ele não pôde assisti-la no momento de sua morte, nem estar presente em seus funerais.
A última vez que a encontrou fora nas férias, ocorridas em casa, em 1858. Porém, a última carta da mãe trazia a data de 14 de dezembro de 1859, poucos dias antes de sua morte. Felinski enfrentou esta duríssima prova, sustentado por uma sólida fé e abandono total e filial à vontade de Deus, que procurou comunicar, também, aos seus irmãos aflitos: “Meus caríssimos, o que posso dizer-vos? Somente uma coisa: seja feita a tua vontade, ó Senhor. Sim, que seja feita a vontade de Deus. Não podemos permanecer sempre aqui, nem podemos todos juntos deixar este mundo, devemos chorar uns pelos outros, até que nos unamos novamente lá, onde não haverá nem temor, nem tristeza, nenhuma preocupação. Não é justo ignorar esta realidade (a morte) porque esta poderá surpreender-nos não preparados; então, entraria, em nós, a tristeza da perdição. Tenhamos todos, portanto, o medo somente desta morte, a qual nos poderá separar para sempre(...)”.
Depois continuou a recordar a bondade e a grandeza moral de sua mãe: “Toda a sua vida foi uma incessante preparação para a morte, a fim de que não a apanhasse de surpresa. A sua virtude, experimentada com o fogo de provações e de numerosas contrariedades não perdeu jamais a sua solidez. Foi filha, esposa, mãe e senhora de casa sempre de um modo exemplar. A sua humildade, a sua incondicional confiança na Divina Providência, a sua retidão e a sua simplicidade ignoravam qualquer forma de hipocrisia. Assim, também, era grande a sua força nas diversidades e extraordinária sua constante submissão à vontade de Deus. A quem nós devemos o fato de termos conservado o sentimento de temor de Deus? Quem soube manter, entre nós irmãos, até hoje, o afeto e a concórdia? A quem devemos a benevolência das pessoas a nosso respeito? (...) Não como filho, mas como sacerdote, com a mão no peito, posso repetir com São Paulo sobre a caríssima mãe: ‘conquistou a meta’.”
Felinski pediu, pois, aos seus irmãos, de poder ficar para ele, como lembrança de sua mãe, o crucifixo que ela trazia em seu peito, com uma correntinha e acrescentou: “(este crucifixo) será a arma de defesa, também na minha última hora”.
✨ REFLEXÃO, NOSSA IDENTIDADE E O COMPROMISSO COM A ASSOCIAÇÃO
Queridos aureenses, irmãos e conterrâneos: fica no ar um convite sincero ao nosso coração: vamos juntos conquistar a nobre meta de sermos pessoas e poloneses de verdadeiro caráter, a exemplo de São Zygmunt Felinski? Honrar a nossa etnia, a nossa terra bendita e a riqueza da nossa cultura exige de nós essa mesma firmeza de princípios e generosidade de espírito.
A nossa Associação será verdadeiramente iluminada e continuará sendo um farol que ilumina toda a comunidade na medida em que vivermos, com autenticidade, o espírito do nosso estatuto. Ser associado é caminhar em união: cumprindo as orientações aprovadas pela diretoria, mantendo em dia as contribuições que sustentam a nossa casa, desempenhando com dedicação as tarefas que assumimos e marcando presença com entusiasmo nas atividades dos nossos Núcleos e Oficinas.
Cuidar da nossa entidade exige zelo e fraternidade. Para proteger nossos valores e a harmonia de todos, a diretoria tem a responsabilidade de agir caso surjam condutas que vão contra nossos objetivos ou desinteresse prolongado. Nesses momentos, tudo é feito com total transparência e respeito: o associado tem pleno direito de ser ouvido antes de qualquer decisão final da assembleia, sendo avisado por escrito para que possa, no prazo de dez dias, conversar e apresentar seus argumentos à assembleia geral. E para aquele que se afastou ou precisou sair, as portas jamais se fecham definitivamente: a reintegração sempre será possível com a avaliação acolhedora da diretoria. Afinal, uma comunidade viva se faz com respeito mútuo, compromisso autêntico e portas sempre abertas ao bem.
São Zygmunt Felinski, modelo de virtude e das vocações, rogai por nós!
📖 Fonte: Trecho extraído da obra Biografia de São Zygmunt S. Feliński, de autoria de Danuta Fudali.✍️ Pesquisa e Publicação: Ir. Isa Carolina Poplavski
🕊️ Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria
🤝 Associação São Zygmunt Feliński





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