A preparação ao sacerdócio e os primeiros anos de atividade em Petersburgo
A PREPARAÇÃO AO SACERDÓCIO E OS PRIMEIROS ANOS
DE ATIVIDADE EM PETERSBURGO (1/2)
Embora tivesse completado 29 anos, Zygmunt foi considerado um candidato idôneo, uma vez que era dotado de boa inteligência, de um modo de ser aberto e sensível. Além disso, ele já possuía uma preparação universitária e uma longa experiência de vida passada no exterior, ao passo que, costumeiramente, os jovens que entravam no seminário, muitas vezes, não haviam concluído sequer o ginásio (1º grau).
Ele logo é acolhido pelo grupo de seminaristas e, em vista de sua idade e de sua experiência de vida, foi apelidado de “Batko”, que em língua ucraína significa “avô”.
Durante os exercícios espirituais, a sua oração era humilde e fervorosa, a fim de que se tornasse completamente uma luz para a alma. E o Senhor atendeu as suas súplicas, como ele mesmo revelou, fazendo-lhe sentir uma voz interior que lhe sussurrava: “A paz esteja contigo. Sou eu!”.
Após os exercícios espirituais, teve lugar a cerimônia de vestição da batina. Zygmunt, deste momento em diante, sempre a vestiu.
Os superiores, considerando a formação anterior de Zygmunt e tendo constatado os notáveis progressos por ele alcançados, depois de apenas dois meses, decidiram promovê-lo ao segundo curso e, portanto, ao fim do ano escolástico (1851-1852), ele iniciou o terceiro curso, que frequentou até 16 de dezembro de 1852, quando deixou o seminário de Zytomierz, para continuar os estudos teológicos na Academia Espiritual de Petersburgo.
Chegou a Petersburgo em 29 de dezembro de 1852, recebendo uma boa acolhida da parte do metropolita e do reitor da Universidade, Ignacy Holowinski, do prefeito Wincenty Lipski e do capelão e padre espiritual, Antoni Jakobielski.
Zygmunt rapidamente conquistou a estima de seus professores. O Arcebispo Holowinski observava com satisfação o seu comportamento, não só durante as atividades cotidianas e durante as aulas, mas também no período de férias, quando os jovens, junto com os outros seminaristas, iam visitá-lo na sua residência de verão, em Pergalow, uma aldeia vizinha de Petersburgo. Além disso, o próprio Arcebispo, na vigília de Natal de 1854, no momento de troca de cumprimentos com os seminaristas por ele reunidos na ocasião, aproximou-se de Zygmunt e proferiu, em tom de brincadeira, palavras de aprovação e de afeto.
Assim, Felinski recorda o fato: “Também eu recebi um grandíssimo apreço que me trouxe satisfação. O Arcebispo me disse: ‘Ei! Meu velhinho, estou contente contigo!’ e, depois de um instante, acrescentou: ‘Eu te quero bem’. Talvez este meu contentamento pudesse alimentar o amor próprio, pois confesso a mim mesmo que eu estava muito feliz pelo louvor recebido”.
Era evidente que o Arcebispo tinha um plano bem determinado sobre ele. A ótima opinião a respeito de Zygmunt vinha confirmada também pelo confessor dos seminaristas, um jovem sacerdote chamado Konstanty Lubieński.
Entretanto, em Petersburgo estava para ser fechado, por causa de várias dificuldades, o convento dos Padres Dominicanos, aos quais havia sido confiada a direção da paróquia de Santa Catarina.
O Arcebispo Holowinski, com a ajuda do padre Lubieński, projetou a fundação, neste convento, de uma nova Congregação formada de sacerdotes. Isto, pois, teria permitido dar vida à tal Congregação, criada em segredo, dado que naquele momento era proibida a fundação de qualquer tipo de vida religiosa.
O Arcebispo confiou ao Pe. Lubienski a responsabilidade de organizá-la, esperando que Felinski, depois de sua ordenação, aderisse a ela, e assim fosse conferido a ele a nomeação de vigário paroquial. As expectativas do Arcebispo não foram decepcionadas.
Naturalmente, antes de executar o seu novo projeto com respeito à Paróquia de Santa Catarina, o Arcebispo providencia obter do bispo Kasper Borowski a permissão de ordenar sacerdote, antecipadamente, Felinski, com a possibilidade de tê-lo à sua disposição na diocese de Mochylew por um período indeterminado.
Logo depois comunicou a Zygmunt que o ordenaria antes do tempo, a fim de que pudesse, o mais breve possível, retomar sua atividade na paróquia ao lado do padre Lubienski e pudesse assim dar vida, no modo já estabelecido, à Congregação dos sacerdotes.
Esta comunicação do Arcebispo, de uma parte, alegrou o coração de Zygmunt, porque finalmente teria podido realizar seu sonho de sacerdote religioso; de outra parte, ao invés, suscitou-lhe viva preocupação, uma vez que se julgava insuficientemente preparado para o trabalho pastoral, não tendo ainda completado o curso de teologia. Todavia, obedece ao Arcebispo.
Zygmunt comunicou à sua mãe a notícia de sua ordenação antecipada e de sua permanência em Petersburgo, numa carta datada a dois de setembro de 1855: “Sou imensamente feliz que Deus, não olhando para os meus numerosos pecados passados e as minhas atuais misérias, tenha querido chamar-me a ser seu servo!”. Apenas seis dias depois era ordenado sacerdote.
O Arcebispo, forçado a apressar a ordenação sacerdotal de Zygmunt, além dos motivos já antes apresentados, isto é, a estima pelo jovem seminarista e o desejo de que se realizasse seu projeto a respeito da fundação da Congregação, também havia o fato de estar gravemente adoentado. Foi, para o Arcebispo, a sua última ordenação, que aconteceu durante a Santa Missa, no dia oito de setembro de 1855, solenidade do Nascimento da Santíssima Virgem Maria, na capela da Academia Espiritual. Após alguns dias, precisamente dia 13 de outubro, o Arcebispo morria.
Aos familiares, Zygmunt contou, gracejando, a preocupação de sua primeira homilia: “Não vos admireis se algumas vezes não tendes notícias minhas. A preparação da minha primeira homilia ficará em mim inesquecível. Para compor alguma coisa de bom, enchi pelo menos, dez folhas. Se for sempre assim, os paroquianos não escutarão frequentemente minha pregação. Pois, naturalmente, é preciso aprendê-la de memória...”.
Da sua correspondência relativa a este período, aparece nele sobretudo o desejo de servir a Deus com toda dedicação e de se submeter completamente à sua santa vontade: “Deixemos tudo para Deus. Procuremos amar a sua santa vontade e tudo se torna suportável”. E continua: “Quem verdadeiramente ama a Deus, considera digna de máxima estima a sua vontade, sobre todas as outras coisas, e se apenas a conhece, imediatamente renuncia a sua própria, procurará com alegria a Sua... O verdadeiro amor é humilde e obediente”.
Texto extraído do livro: Biografia de São Zygmunt S. Felinski, autoria de Danuta Fudali





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