6ª Parte: Os Estudos na Universidade de Moscou e na Universidade de Paris
6ª Parte: Os Estudos na Universidade de Moscou e na Universidade de Paris
Uma base educacional sólida e construída com amor desde a infância é o maior tesouro que um jovem pode carregar. No caso de Zygmunt, essa boa formação foi o alicerce fundamental que o fortaleceu para enfrentar a dureza de desafios profundos. Ele sentiu na pele a dor da rejeição ao não ser acolhido inicialmente na universidade pelo simples fato de ser filho de uma mãe patriota, deportada e exilada na fria Sibéria.
Mesmo vivendo uma situação econômica extremamente precária, dependendo exclusivamente da generosidade de um benfeitor e possuindo apenas o estritamente necessário para sobreviver, ele não desanimou. A distância do lar, o isolamento com uma comunicação mínima com a família e o fato de estar rodeado de problemas e inseguranças — tanto sociais quanto pessoais e familiares — não foram suficientes para apagar o brilho da sua missão.
Dessa comovente experiência de superação, colhemos profundas lições para a nossa própria vida. Na condução e administração dos trabalhos da nossa Associação, nós priorizamos o exemplo vivo de Ewa Feliński. Embora o exílio tenha tentado calar a sua voz e a sua presença física, ela jamais abandonou os seus deveres sagrados com a família e com a Pátria. É por isso que assumimos como prioridade em nossa caminhada o cultivo de bons relacionamentos, a transparência em cada ato, a responsabilidade mútua, as atitudes de verdadeira amizade, o espírito de solidariedade e o zelo constante em nosso trabalho comunitário.
Para tornar esses ideais uma realidade prática e compreensível a todos, nossa estrutura administrativa se organiza de forma muito humana e colaborativa. Por meio de uma gestão atenta e compartilhada, unimos forças na coordenação de planejamento, na valorização dos recursos humanos, no cuidado com o patrimônio material e nos serviços gerais e orçamentários que sustentam nossas ações.
Todo esse suporte ganha vida através das atividades dos nossos núcleos e secretarias, que se dedicam apaixonadamente à preservação da Arte Sacra, da música, da dança e das artes visuais, além do ensino da cultura, das tradições culinárias e do idioma polonês. Promovemos também o desenvolvimento do turismo local, a capacitação da nossa gente e o apoio constante por meio de assessorias religiosas, culturais, administrativas e jurídicas. Tudo isso é feito de maneira voluntária por diretores e colaboradores comprometidos com o bem comum, unindo a comunidade para manter vivo o espírito de solidariedade e integração familiar.
O Contexto Histórico e Biográfico
Para Zygmunt, o início dos estudos universitários foi muito duro, pelo fato de que ele não foi bem acolhido, sendo filho de uma senhora patriota, deportada e exilada na Sibéria.
Felizmente este período de grande desafio não durou muito, porque, com o passar do tempo, muitos colegas, descobrindo seus grandes dotes morais e intelectuais, mudaram de atitude, oferecendo sua amizade; amizade esta que, com alguns deles, perdurou até a velhice. Formou-se então, em torno de Zygmunt, um grupo restrito de estudantes que lhe ofereceram hospedagem. Ora passava com um, ora com outro.
A sua presença no grupo de colegas tornou-se cada vez mais benéfica e construtiva. Ele se mostrava, nas suas relações, um colega cordial e um amigo verdadeiro. O seu comportamento era exemplar para todos.
Neste período, a sua situação econômica era precária. O dinheiro à sua disposição bastava somente para cobrir os gastos estritamente necessários. Felizmente as condições foram melhorando, tanto que, no fim dos estudos, Brzozowski ofereceu-lhe uma ajuda trimestral e quanto lhe fosse necessário para aquisição de roupas, e também o convidou a dirigir-se a ele, com a máxima simplicidade, caso precisasse de alimento.
Zygmunt nunca abusou da generosidade de seu tutor. Não pedia dinheiro a mais do que lhe convinha e vivia com simplicidade, sem pretensões, possuindo somente o indispensável, como, por exemplo, um único uniforme de estudante.
A partir de 1840, ele tem regular e constante correspondência com sua mãe, mantendo-a sempre ciente de sua vida universitária em Moscou, de seu projeto e também lhe comunicando notícias de seus irmãos.
Da sua parte, a mãe não se cansava de exercer seu papel de afetuosa educadora, e com sabedoria e competência, corrigia-o nas suas falhas involuntárias, encorajava-o nas dificuldades, aconselhava-o nas incertezas e o louvava, de modo equilibrado, nos seus sucessos. Em poucas palavras, ela era para seu filho um apoio moral estável e seguro, baseado no respeito de sua personalidade e na confiança nas suas grandes capacidades.
Zygmunt se distinguia nos estudos pelo seu senso de responsabilidade, empenho e agudeza de inteligência; superava sempre brilhantemente os exames, motivo pelo qual era tido como o melhor aluno.
Quando em Maio de 1844 a sua mãe, depois de ser libertada, viajando em companhia de sua filha Zofia, encontrou casualmente alguns estudantes provenientes de Moscou, perguntou a eles se conheciam Zygmunt S. Felinski, ouviu a seguinte resposta: “E quem não conhece o melhor estudante de nossa Universidade!”.
Durante os estudos em Moscou, Zygmunt passou as férias de verão por dois anos (1840-1841) com seus parentes na Lituânia. Aqui conheceu, pela primeira vez, a família de sua mãe. Ele deu uma ótima impressão a seus parentes e sentiu-se à vontade em sua companhia; assim, transcorreram suas semanas de repousantes férias. Justamente nesses dias enquanto se encontrava em sua companhia, chegou a alegre notícia que, por ocasião do casamento do Czar, a mãe seria transferida da frigidíssima localidade de Beresteczko, para Saratów, junto ao Volga, onde o clima era mais ameno. Grande foi a alegria de todos os filhos, também porque, na nova sede, era mais fácil ir visitá-la.
É sabido também que, nestas férias em Zubki, Zygmunt viu pela última vez a sua irmã Paulina, a qual, depois de ter seguido seu marido a Cherson e, mais tarde, para Saratów, estando eles também no exílio por motivos políticos, morreu aos 19 de abril de 1843, ao dar à luz um menino.
Zygmunt conseguiu realizar seu sonho de rever a sua mãe em 1842. O encontro entre filho e mãe, depois de quatro anos de separação, foi, na verdade, ocasião para ambos de grande júbilo e de imensa festa. Para Ewa Felinski, a chegada do filho foi como o aparecer de um raio de sol, trazendo luz e alegria nas trevas de sua triste solidão de exilada. Ele chegou a ela de improviso, não havendo possibilidade de informá-la antes, pois a viagem tinha sido planejada inesperadamente pelo seu benfeitor.
Eis a descrição do encontro, escrito por Zygmunt: “Quando em Saratów encontrei a sua modesta habitação, bati na porta. Ela mesma veio abrir, e vendo-me vestido com divisa militar, perguntou-me o que queria. Então lancei-me comovido a seus braços e, repentinamente, o seu coração me reconheceu e ela pronunciou o meu nome, aquilo que eu desejava.”
Na permanência com sua mãe, Zygmunt procurou aliviar seus sofrimentos, uma vez que ela tinha algum problema nos olhos e tinha sido atingida, também pelo sarampo. Com seu caráter alegre e expansivo, agradou aos amigos e conhecidos de sua mãe, de tal maneira que todos esperavam, cada ano, a sua vinda.
Ao término de seus estudos, Zygmunt quis unir-se à sua família na terra natal, dado que, no outono de 1843, com o nascimento do herdeiro do trono, o Czar tinha concedido à sua mãe a anistia e, consequentemente, sua libertação.
Infelizmente, o desejo de Zygmunt de voltar à sua família não pôde realizar-se, porque o seu tutor Brzozowski decidiu de maneira diferente. De fato, ele recomendou ao jovem de permanecer em Moscou para seguir um curso de especialização, tendo em mente um plano bem preciso para o futuro do seu beneficiado.
Zygmunt, embora profundamente preocupado e triste, conforme se percebe no seu escrito, adaptou-se à vontade de seu benfeitor, uma vez que considerava isto um seu dever.
Assim, depois de haver terminado os estudos, ele iniciou a “prática de governo” junto à chancelaria civil do governador de Moscou, a fim de conseguir o assim chamado “grau de ofício” (1844).
O seu tutor, Zenon Brzozowski, ao congratular-se com ele pela decisão tomada de permanecer em Moscou, comunicou-lhe que, depois de obtido o “grau de ofício”, lhe propôs três tipos de trabalhos. Um deles, o mais desejado, seria o de confiar-lhe a educação de seus filhos. Zygmunt responde ao seu tutor de uma maneira humilde e, com gratidão, aceitou a proposta de trabalho. Propôs-lhe, porém, realizá-lo mais tarde, uma vez que as crianças eram ainda muito pequenas.
Após ter concluído seu serviço junto à chancelaria do governo, Zygmunt obteve, no mês de abril de 1845, o “grau de ofício”, que na Rússia conferia particular vantagem às pessoas laureadas.
Aos 27 de abril de 1845, ele deixou Moscou para transferir-se, no mês seguinte, para Sokolówka; tinha na época 23 anos de idade.
Com seu tutor teve uma série de colóquios a respeito de seus futuros empenhos, entre os quais o de permanecer no estrangeiro, para completar os seus estudos.
Na espera de receber o passaporte, ele trabalhou em Sokolówka, ao lado de Zenon, como secretário e ajudante na administração de seus bens, e dedicou parte do seu tempo ao filho maior do tutor.
Irmã Isa Carolina Poplavski
Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria
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