5ª Parte: Prisão, Morte e Consequências por Causa do Desejo de Reconquista
5ª Parte: Prisão, Morte e Consequências por Causa do Desejo de Reconquista
Quando olhamos para a trajetória daqueles que nos antecederam, percebemos que a busca incessante pelos valores fundamentais de um povo se manifesta firmemente em três pilares essenciais: a liberdade como o direito inalienável de soberania e expressão de uma nação; a independência por meio da emancipação política e cultural frente às forças opressoras; e a unificação, que gera o elo de coesão necessário para restaurar a integridade de uma sociedade.
O amor patriótico e familiar nasce e se fortalece no seio da própria família. Diante de cenários históricos de profunda opressão, a Família Feliński enfrentou com coragem todos os obstáculos imagináveis para educar os filhos e traçar metas claras para superar as adversidades da vida. Nesse processo, priorizaram o apoio à Associação do Povo Polonês, com o nobre propósito de unificar uma Polônia que havia sido dividida pela ganância dos países vizinhos. Unidos por esse ideal, a mãe e seus filhos ofereceram o seu suporte irrestrito à causa para promover ativamente o patriotismo e a conquista da tão sonhada liberdade.
Para trazer essa rica vivência histórica para o nosso dia a dia, colhemos lições práticas valiosas para a nossa própria comunidade. Em primeiro lugar, precisamos valorizar profundamente a família e os serviços sociais como bases indispensáveis para o desenvolvimento comunitário. Além disso, somos convidados a ampliar continuamente o nosso conhecimento intelectual por meio de valores sólidos que norteiam os nossos compromissos cotidianos, englobando de forma harmoniosa as dimensões da inclusão social, política e religiosa.
Guiados por esse espírito, nossos objetivos comunitários se traduzem em ações muito claras e acessíveis a todos. Buscamos realizar estudos e atividades práticas que expandam o horizonte intelectual e humano sobre a história da Etnia Polonesa, compreendendo sua caminhada ligada ao Cristianismo, sua riqueza cultural e seu grande potencial turístico. Para que ninguém fique de fora, estabelecemos espaços de convivência e departamentos voltados à promoção de atividades culturais para todas as idades — acolhendo desde as crianças e jovens até os adultos e idosos —, fortalecendo os vínculos e preservando a essência do ambiente familiar.
Nossos compromissos são sempre guiados pela transparência, pela criatividade, pelo cultivo de amizades verdadeiras e pela busca constante de parcerias sólidas. Na prática, isso ganha vida através de oficinas abertas de música, teatro, dança, artes visuais, literatura e artesanato, que promovem o resgate e a valorização das nossas memórias familiares. Por fim, celebramos nossa identidade promovendo eventos e datas de grande relevância que unem as culturas locais, integrando perfeitamente as celebrações religiosas e cívicas tanto da Polônia quanto do Brasil e honrando a história da nossa colonização.
O Contexto Histórico e Biográfico
Em 1837, numerosos pais retiraram seus filhos da escola, por causa da sua negatividade já mencionada, que se acentuava cada vez mais. Também a senhora Feliński, querendo que não só nos seus filhos, Zygmunt e Alojzy, mas também nos outros, desenvolvessem apenas boas disposições, e temendo que pudessem ser influenciados negativamente, decide transferir-se para Krzemieniec, onde, depois do fechamento do liceu, muitos professores poloneses, que ficaram desocupados, davam aulas privadas às escondidas.
Ela provê a instrução dos filhos, assumindo alguns professores, dentre os quais, dois para o aprofundamento da língua francesa. Estes docentes, sinceros poloneses, desenvolviam seu trabalho em casa. Entretanto, este período, para a família Feliński, foi um dos mais tranquilos e felizes.
Os poloneses desejavam fazer alguma coisa pela sua pátria, com o fim de reconquistar a liberdade e a independência que haviam perdido sob o domínio russo. Então, as pessoas mais cultas de Volínia, sob a guia de Szymon Konarski (1808-1839), deram vida à Associação do Povo Polonês, a fim de unificar as três partes da Polônia dividida entre Rússia, Prússia e Áustria.
Ewa, mãe de Zygmunt, havia já sido nomeada secretária da Associação, com o pseudônimo de “Rocha”, em Krzemieniec. Ela coordenava a correspondência em língua francesa. Conhecia Konarski, pois por diversas vezes o havia escondido em sua casa, primeiramente em Wojutyn, e depois, em Krzemieniec, onde ele era procurado. Portanto, de boa vontade, Ewa tinha aceito o encargo que lhe confiado por Konarski, com o qual dividia suas ideias patrióticas.
No entanto, em Krzemieniec, onde reinava um sentimento de patriotismo e um vivo anelo de liberdade, também Zygmunt e seu irmão Alojzy, ao lado da mãe, ofereciam o seu apoio à associação, trabalhando na tipografia onde eram secretamente impressos escritos, obras de homens de cultura que incitavam à conquista da unidade nacional.
A descoberta da Associação, por parte do governo czarista, foi causa de gravíssimas e penosas consequências. Szymon Konarski foi condenado à morte.
Ewa Feliński foi primeiramente presa (1838) e, depois, em 1839 exilada em Beresteczko, às margens do Rio Ob, na Sibéria.
Após a deportação da mãe para a Sibéria, os bens que a família Feliński possuía em Wojutyn e em Zboroszów foram confiscados pelo governo czarista, e assim, os seis irmãos ficaram sem teto e privados de qualquer recurso material.
Todavia, graças à maturidade de Paulina, que então tinha apenas 19 anos, a família mantém-se unida. Ela assumiu, em cheio, a responsabilidade do cuidado e da educação dos irmãos, empenhando-se a fim de que eles não frequentassem escolas para menores, pertencentes ao governo russo. Prestou cuidadosa assistência à avó gravemente enferma, procurou, ainda que sem êxito, readquirir os bens tomados e também preocupou-se em conseguir a necessária documentação para apresentar às autoridades, a fim de obter a libertação da sua mãe.
Este difícil período vem sendo certamente superado antes de tudo pelo profundo afeto que havia entre os membros da família, e também pela ajuda prestada a eles pelos parentes e estranhos, irmanados nos mesmos ideais de amor patriótico. Paulina avaliou, com particular atenção, as propostas de alguns familiares amigos e generosos, os quais se ofereceram a acolher em suas casas as crianças, para cuidar de sua instrução e educação. Foi assim resolvida a difícil situação econômica, que causou o drama da divisão da família.
Zygmunt foi confiado aos cuidados de Zenon Brzozowski (1806-1887), rico e generoso cidadão de Podole, ao qual comunicou sua intenção de inscrever-se na escola de engenharia situada junto ao Corpo de Comunicação Estradal de Petersburgo. Infelizmente ele não pôde realizar este seu desejo, porque já não havia mais vagas, conforme o número de inscrições estabelecido pelo governo.
Zygmunt pensou em inscrever-se na faculdade de matemática da Universidade de Kiev, mas também este novo plano não foi possível, uma vez que todos os estudantes poloneses foram expulsos. O administrador Bibikow comunicou-lhe que, no momento, não era possível frequentar algum curso universitário em Kiev, mas que o ajudaria se ele desejasse inscrever-se, no próximo ano, na faculdade de matemática da Universidade de Moscou.
Fiel à promessa, o administrador Bibikow escreveu uma carta em favor de Zygmunt ao responsável de Moscou, Stragonow. Assim, o jovem pôde inscrever-se na faculdade de matemática no ano escolástico, já começado, sem prestar exame inicial e sem que conhecesse a língua russa.
Todavia, graças à maturidade de Paulina, que então tinha apenas 19 anos, a família mantém-se unida. Ela assumiu, em cheio, a responsabilidade do cuidado e da educação dos irmãos, empenhando-se a fim de que eles não frequentassem escolas para menores, pertencentes ao governo russo. Prestou cuidadosa assistência à avó gravemente enferma, procurou, ainda que sem êxito, readquirir os bens tomados e também preocupou-se em conseguir a necessária documentação para apresentar às autoridades, a fim de obter a libertação da sua mãe.
Este difícil período vem sendo certamente superado antes de tudo pelo profundo afeto que havia entre os membros da família, e também pela ajuda prestada a eles pelos parentes e estranhos, irmanados nos mesmos ideais de amor patriótico. Paulina avaliou, com particular atenção, as propostas de alguns familiares amigos e generosos, os quais se ofereceram a acolher em suas casas as crianças, para cuidar de sua instrução e educação. Foi assim resolvida a difícil situação econômica, que causou o drama da divisão da família.
Zygmunt foi confiado aos cuidados de Zenon Brzozowski (1806-1887), rico e generoso cidadão de Podole, ao qual comunicou sua intenção de inscrever-se na escola de engenharia situada junto ao Corpo de Comunicação Estradal de Petersburgo. Infelizmente ele não pôde realizar este seu desejo, porque já não havia mais vagas, conforme o número de inscrições estabelecido pelo governo.
Zygmunt pensou em inscrever-se na faculdade de matemática da Universidade de Kiev, mas também este novo plano não foi possível, uma vez que todos os estudantes poloneses foram expulsos. O administrador Bibikow comunicou-lhe que, no momento, não era possível frequentar algum curso universitário em Kiev, mas que o ajudaria se ele desejasse inscrever-se, no próximo ano, na faculdade de matemática da Universidade de Moscou.
Fiel à promessa, o administrador Bibikow escreveu uma carta em favor de Zygmunt ao responsável de Moscou, Stragonow. Assim, o jovem pôde inscrever-se na faculdade de matemática no ano escolástico, já começado, sem prestar exame inicial e sem que conhecesse a língua russa.
Ainda que a inscrição fosse efetuada como apenas ouvinte, foi-lhe garantida a promessa de tornar-se, no ano seguinte, estudante efetivo.
Zygmunt chegou a Moscou a 13 de dezembro de 1839, recebendo do administrador Bibikow, como ajuda econômica, 700 rubros para a sua manutenção e 300 para a sua viagem.
Irmã Isa Carolina Poplavski
Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria
Zygmunt chegou a Moscou a 13 de dezembro de 1839, recebendo do administrador Bibikow, como ajuda econômica, 700 rubros para a sua manutenção e 300 para a sua viagem.
Irmã Isa Carolina Poplavski
Congregação das Irmãs Franciscanas da Sagrada Família de Maria





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