4ª Parte: Tempos Problemáticos
4ª Parte: Tempos Problemáticos
A vida de São Zygmunt não foi nada fácil. Para falar a verdade, ele passou por muitas provações que acabaram moldando o homem e o santo que ele se tornou. Nesta quarta parte da história dele, a gente entra em um período bem complicado.
Imagine só: ao mesmo tempo em que ele se dedicava muito aos estudos, a cabeça e o coração dele estavam cheios de preocupações com o que estava acontecendo ao seu redor. A Polônia passava por momentos de muita revolta e insurreição, e isso trouxe acontecimentos muito dolorosos para a vida dele. Ele viu pessoas queridas sofrendo e, de repente, se viu obrigado a deixar tudo para trás e buscar refúgio fora do próprio lar. Mas foi justamente no meio de toda essa dificuldade, longe de casa, que ele aprendeu a ser forte e a confiar ainda mais no caminho dele.
O Coração da Nossa Associação
Toda essa bagagem e os passos de São Zygmunt Felinski são a grande inspiração para o nascimento da nossa Associação e do Memorial do Imigrante Polonês. Mais do que regras ou papéis assinados, o que nos move de verdade é uma vontade imensa de fazer o bem, tendo a fé em Deus como a nossa base para tudo. A gente busca viver essa espiritualidade no dia a dia, no planejamento de cada ação, mas sempre com os braços abertos para acolher e respeitar o tempo e a crença de cada pessoa que caminha com a gente.
Esse respeito também se estende para o nosso passado. Olhar para a nossa história, valorizando cada pedacinho dela — seja o que aconteceu lá atrás ou o que estamos vivendo hoje —, é o que cria um laço forte de verdade entre as nossas tradições e a nossa gente. E, no fim das contas, o grande motivo de estarmos todos juntos aqui é o cuidado com o ser humano. Queremos promover a vida e o bem-estar através de projetos reais, mantendo vivo o intercâmbio cultural e honrando a linda trajetória dos imigrantes poloneses que chegaram ao Brasil, para que toda a comunidade possa colher esses frutos de solidariedade.
Lições Práticas para a Vida
Quando a gente traz tudo isso para o nosso dia a dia, percebe que essas ideias são lições práticas para a nossa própria vida. O ser humano só se sente completo de verdade quando vive com respeito pelo próximo, com dignidade e quando não abre mão daqueles valores que são para sempre.
O próprio São Zygmunt nos mostrou isso desde cedo. Ainda na sua infância, mesmo crescendo no meio de um monte de problemas e confusões da época, ele não se deixou abalar. Desde pequeno, ele escolheu focar no que era essencial: Deus, a história e a humanidade.
A nossa comunidade aqui em Áurea viveu até hoje exatamente assim: sob a proteção de Deus e de Nossa Senhora de Częstochowa. Por isso, o convite que fica com essa terceira postagem é para a gente reforçar esses valores dentro da nossa casa e da nossa vida, voltando a nossa atenção para o que realmente importa. É hora de focar no essencial!
Para que a gente possa mergulhar de verdade nessa história e sentir na pele como foram esses momentos que moldaram o coração do nosso padroeiro, compartilhamos a seguir, palavra por palavra, um trecho precioso retirado diretamente do livro de sua biografia oficial. Vamos acompanhar de perto esses relatos históricos e se emocionar com a trajetória de perseverança de São Zygmunt:
São Zygmunt iniciou seus estudos em casa, em Zboroszów, em torno de 1828, junto com seu irmão Alojzy, sob a direção de um instrutor que tinha a tarefa de acompanhar os dois rapazes não só na realização do programa escolástico paroquial, como também de vigiar o seu comportamento e estar presente em seus divertimentos.
Depois da mudança para Wojutyn, a instrução dos dois filhos foi confiada a um rígido educador, Jasiewicz, o qual aplicava aos jovens severas punições e comunicava aos pais continuamente as faltas dos dois filhos, despertando na família preocupações e inseguranças, tanto que o pai, cansado pela desagradável situação, decide inscrever os dois jovens na escola paroquial em Niswicz, para conseguir a devida preparação ao ginásio (curso médio).
Zygmunt frequentou esta escola por mais de um ano. O diretor, Tokarski, era muito severo, usando frequentemente até castigos físicos. A sua aguda inteligência permitia-lhe conseguir bons resultados nos estudos, aos quais se aplicava com tenaz diligência. Todavia, como a todo menino, acontecia-lhe algum deslize. Ele mesmo narra um episódio acontecido enquanto frequentava esta escola. Uma vez, vestido de coroinha e servindo a Santa Missa, viu um rato que se escondia debaixo do altar. Esta cena o prendeu totalmente a ponto de esquecer seu sagrado dever. Sem pensar, correu atrás do animalzinho, jogando fora o sino que tinha na mão. A punição foi-lhe dada pelo mesmo diretor, que considerou o acontecimento um “escândalo” de não se tolerar e, portanto, devia ser punido severamente.
A insurreição de novembro de 1831 e os dolorosos acontecimentos que se seguiram, obrigaram a família a abandonar Wojutyn, e Zygmunt teve que interromper seus estudos. De fato, quando os soldados russos entraram na propriedade, a mãe, tendo sido advertida em tempo, escondeu-se com as crianças no jardim, para evitar que se criasse uma situação perigosa. Ela mudou-se para Zboroszów, mas também de lá teve que fugir com toda a família, porque naquela região se aproximava o exército russo. Seguia-se, para eles, um longo período de vida errante em meio aos bosques e, em seguida passaram a fronteira para refugiar-se na Galícia, onde fome e medo foram suas companhias. Pensava-se que esta difícil situação acabasse logo para, enfim, voltar à sua casa; ao invés, a permanência da senhora Felinski e dos filhos na Galícia prolongou-se por vários meses, por causa de um reforço na fronteira dos exércitos austríaco e russo.
Grande foi a alegria de todos quando, depois de alguns meses, Gerard Felinski conseguiu finalmente se unir à sua esposa e aos filhos, embora eles percebessem logo que a saúde de seu querido pai estava gravemente comprometida.
No outono de 1831, toda a família retornou para sua casa em Wojutyn. Depois de certo tempo, a doença de Gerard andou se agravando. A vigília do Natal, festa familiar, na qual todos juntos se aproximavam do Sacramento da Eucaristia, por ocasião do onomástico da mãe Ewa, foi realmente triste. O estado de saúde do pai piorou e foi-lhe administrado o Sacramento da Unção dos Enfermos. No mês seguinte, em Janeiro (1833), ele morreu, deixando a esposa e seis crianças. A filha maior era Paulina, que contava com apenas 13 anos.
A dolorosa notícia da morte do pai chega a Zygmunt e a seu irmão no colégio em Luck, onde ambos frequentavam o ginásio (2º grau). O pai, algum tempo antes de sua partida, havia solicitado à sua esposa de providenciar que os meninos fossem mandados à escola.
A profunda fé da mãe, transmitida aos filhos, permitiu-lhe aceitar esta dor, com plena submissão à vontade de Deus.
Uma outra experiência negativa golpeou a família de Zygmunt S. Felinski: a grave doença de Paulina, por todos muito amada e considerada uma santa menina. Graças às orações, à peregrinação feita pela avó a Nossa Senhora em Lesina, e aos assíduos e amorosos cuidados da mãe, a temida borrasca, que causou medo a toda família, desapareceu, e a jovem superou a doença, recuperando bem a saúde. Infelizmente, durante as férias, enquanto as crianças brincavam, sucede um acidente mortal: Gerardyna, a irmã menor de Zygmunt, perdeu a vida numa queda.
Zygmunt concluiu sua escola média nos anos após a insurreição de novembro de 1831, quando o governo do Czar impôs a supressão de todas as instituições nacionais, entre as quais, também, a Igreja Católica. Foi ele testemunha da anulação do reconhecimento da união dos católicos com Roma, da destruição das Igrejas, do fechamento dos conventos, da eliminação de qualquer organização polonesa e da russificação do ambiente educativo.
Zygmunt, nas suas lutas juvenis espirituais, buscou seu apoio em Deus e na ajuda materna de Maria Santíssima. Diante de exemplos escandalosos do ambiente estudantil, estando enraizados em seu coração os sentimentos do bem e da beleza moral, incutidos nele pela mãe, decide fazer um passo importante e corajoso: a emissão do voto de castidade, diante do quadro da Anunciação, na Igreja de Klewán. Tinha apenas 14 anos.







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