Raízes, História e Legado de São Zygmunt Felinski

 Apresentação

A edição do Instituto São Zygmunt Felinski, "Raízes, História e Legado de São Zygmunt Felinski", tem como inspiração a expressão: "Recordar é viver".

Recordar é reviver acontecimentos que fazem parte da nossa história, fatos vividos no passado que permanecem como um grande valor para o presente. É com esse propósito que lançamos esta edição, dando ênfase à preparação para o centenário que se aproxima, resgatando as raízes, a história e o legado de São Zygmunt Felinski.

A vinda das Irmãs da Sagrada Família está diretamente relacionada à história da Polônia, que, no século XIX, encontrava-se sob domínio estrangeiro, situação que dificultava a sobrevivência de seu povo. Muitas famílias emigraram em busca de melhores condições de vida, e as irmãs acompanharam esses imigrantes para prestar assistência humana, espiritual, educacional e de saúde.

Apresentamos também as ações que traduzem o dia a dia da Associação São Zygmunt Felinski nesta comunidade, sempre buscando o aprimoramento cultural e humano como forma de contribuir para a transformação da sociedade.

Ao percorrer estas páginas, o leitor poderá conhecer um pouco mais sobre a vida e a missão do nosso patrono, São Zygmunt Felinski, que nos convida a traduzir em gestos concretos as virtudes, os exemplos e as atitudes que fortalecem a educação, a cultura e os valores humanos em um mundo que, muitas vezes, carece de referências humanizadoras.

A Providência Divina guiou e conduziu esta caminhada rumo ao centenário, mantendo viva a fidelidade aos valores perenes herdados de São Zygmunt Felinski e à profunda devoção a Nossa Senhora de Częstochowa, tão presente na fé e na identidade dos descendentes dos heroicos imigrantes poloneses.

Essa herança inspirou a escolha do nome da Associação São Zygmunt Felinski - Memorial do Imigrante Polonês, fundada em 18 de novembro de 2002, na cidade de Áurea, Rio Grande do Sul, Capital Polonesa dos Brasileiros, onde mantém sua sede na Rua da Matriz, nº 335, CEP 99835-000.

Os dados biográficos de São Zygmunt Felinski, arcebispo de Varsóvia, foram reunidos a partir de pesquisas históricas e documentos de referência escritos por Irmã Danuta Fudali SF e Monsenhor Francisco Fabris. As informações oficiais referentes à Associação São Zygmunt Felinski, seus eventos e atividades, são de responsabilidade de Irmã Isa Carolina Poplavski e Odinei Voginski assessorando e administrando as redes sociais, bem como de sua diretoria e colaboradores.

Nosso Padroeiro, Mártir pela Fé e pela Pátria

Na segunda metade do século dezenove, época em que viveu São Zygmunt S. Felinski, a situação política e social, bem como, religiosa e moral da Polônia, apresentava-se verdadeiramente difícil e dolorosa.

O Reino Polonês, tendo perdido sua independência e soberania, fora dividido entre Prússia, Áustria e Rússia.

O governo prussiano exercia sobre o povo polonês um duro domínio. Havia programado a “germanização”, isto é, uma série de atividades repressivas contra a população e contra a Igreja, tendo como consequência a supressão de quase todas as ordens religiosas. Mais de mil paróquias ficaram sem pastores e, mais tarde, em dezembro de 1871, foi promulgado o Kaznelparagraf, chamado popularmente de “direito da mordaça”, que limitava a liberdade da palavra. As primeiras vítimas desta iníqua medida foram os sacerdotes poloneses.


Sob o domínio austríaco, porém, o povo polonês e a Igreja podiam gozar de certa tolerância, e ter assim mais possibilidade de ação. O próprio governador da Galícia, Agenor Goluchowski, havia introduzido a língua polonesa nas escolas e autorizado oficialmente o uso da mesma nos tribunais e entre as autoridades civis.

Bem diferente se apresentava a situação dos poloneses e da Igreja sob o regime Russo (czarista): essa era, na verdade, muito pesada.

A agressão do governo, chamada “russificação”, andou crescendo sempre mais e se afirmou com métodos persecutórios, frequentemente violentos e sanguinários. Muitos patriotas e sacerdotes foram mortos ou condenados ao exílio e deportados para a Sibéria. Entre esses, a mãe de Zygmunt Felinski e ele mesmo, quando se tornou Arcebispo de Varsóvia e fez-se corajoso defensor da independência da Polônia e dos direitos da Igreja.

Numerosas foram as intervenções da Santa Sé em defesa da liberdade religiosa e política do povo polonês, mas estas tiveram pouco êxito.

Somente na segunda metade do ano 1904, o imperador Nicolau II assinou um documento no qual prometia algumas reformas, entre elas, a liberdade religiosa e de consciência.

Com o tratado de paz de Versailles, de 28 de Junho de 1919, vem finalmente restabelecido o estado soberano polonês, após mais de cem anos de completa divisão. Consequentemente, o acordo entre a Santa Sé e o governo polonês, de 10 de Fevereiro de 1925, garantiu plena liberdade à Igreja.

E se a Polônia, agora unida, apresentou-se como um país completamente católico, no qual a ação da Igreja fez sentir sua determinante influência positiva, também no renascimento da vida social, isto se deve, sem dúvida alguma, ao corajoso sacrifício de muitos filhos seus, que, no longo e difícil período de opressão, souberam testemunhar e defender, com firmeza e constância, os valores perenes, religiosos e civis de liberdade, de justiça e de paz.

Entre esses, aparece a figura gigante do Arcebispo de Varsóvia, Zygmunt S. Felinski, denominado na época moderna: “Mártir pela fé e pela Pátria”, “Orgulho do episcopado polonês”, “Fiel filho da Igreja!”.

Esta é apenas a primeira parte desta história. Na próxima edição, continuaremos a percorrer os caminhos de fé, coragem e dedicação que marcaram a vida de São Zygmunt Felinski.

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