Retrospectiva e testemunho de fé - Inês Wicrovski
Retrospectiva e testemunho de fé
Ao chegarmos ao final de um ano, ou ao encerramento de um tempo significativo de nossa caminhada, somos convidados a fazer uma profunda retrospectiva. É momento de rever nossas ações, projetos, encontros com familiares, parentes e amigos. Tempo de visitar presépios, celebrar os rituais religiosos, alegrar-nos com as tradições e envolver-nos em um clima afetivo de encantos humanos e humanizantes. Tudo se transforma em festa.
Ressoam calorosamente os fatos vividos, as mensagens de Feliz Natal e Feliz Ano-Novo, e toda a simbologia desse tempo tão especial. Esses sinais possuem grande valor, estima e esperança, sobretudo quando centralizados na pessoa de Jesus Cristo. O verdadeiro sentido do Natal se revela quando ele é vivido em todos os dias de nossa vida terrena.
Nesse espírito de fé e esperança cristã, no dia 26 de dezembro de 2025, teve início uma nova vida: a vida eterna da senhora Inês Wicrovski, que partiu para o Natal definitivo. Ela atravessou para o outro lado do caminho que um dia iniciou, mas não está distante de nós. Permanece presente na memória, nos exemplos, nos testemunhos e nas sinalizações que deixou às futuras gerações — caminhos concretos que nos apontam para o Céu.
Nós, que ficamos, seguimos em frente, fortalecidos por sua história, sua fé e por tudo o que ela semeou ao longo de sua existência.
Biografia
Inês Wicrovski, filha de Abel Kriger e Helena Kriger, nasceu em 17 de maio de 1935, no município de Nova Prata, Rio Grande do Sul. Teve seis irmãos: Maria, Alfredo, Joana (em memória), Catarina (em memória), Rosa e Wilson. Cresceu em uma família profundamente católica e praticante, da qual herdou o amor a Deus, à Igreja e aos valores cristãos que cultivou fielmente até o fim de sua vida.
Desde cedo, seguiu o exemplo de seus pais. Após receber o sacramento da Crisma, ingressou no movimento Filhas de Maria, muito atuante na época, que exigia comprometimento, castidade e empenho nas atividades pastorais. Essa experiência marcou profundamente sua espiritualidade e moldou sua forma de viver a fé.
Mais tarde, conheceu Antônio Wicrovski, com quem se casou e constituiu sua família. Dessa união nasceram dois filhos: Antônio Wicrovski Júnior e Maria Inês Banaszeski, educados nos valores cristãos e perseverantes na fé até os dias de hoje. Posteriormente, os filhos se casaram: Antônio Júnior com Fátima, e Maria Inês com Leandro, dos quais nasceu a neta Thuany, grande paixão de sua vida, que recebeu de sua avó todo o carinho, atenção e amor.
Sua rotina nunca foi fácil. Durante muitos anos, caminhava cerca de seis quilômetros diariamente para lecionar na Escola Castro Alves e na Linha 5 – Campinas, onde construiu sólidas e belas amizades. Até seus últimos dias, era visitada por pessoas dessas comunidades, sinal do respeito, da gratidão e do afeto que conquistou como educadora.
Além da vocação de professora e mãe de família, possuía inúmeros talentos. Era excelente cozinheira, tricoteira dedicada e doceira de mão cheia. Esses dons eram frequentemente colocados, de forma generosa e discreta, a serviço do próximo, especialmente dos mais necessitados. Com alegria, preparava panetones e bolos natalinos para distribuir às pessoas, transformando pequenos gestos em verdadeiros atos de evangelização.
Como esposa, viveu a doação plena. Diante da enfermidade do marido, cuidou dele com estima, dedicação e ternura, testemunhando o amor vivido no sacramento do matrimônio. Juntos, Inês e Antônio dedicaram-se intensamente à vida da Igreja, participando do Cursilho de Cristandade, da catequese, da diretoria paroquial e de diversos grupos de devoção mariana. Não passavam um dia sequer sem rezar ao menos um terço, mantendo viva uma fé simples, profunda e perseverante.
Atuaram com empenho em uma gestão paroquial e, mesmo após esse período, continuaram colaborando por mais de trinta anos nas festas da paróquia. Inês tinha especial apreço pelas missas celebradas em língua polonesa aos sábados. Nesse contexto, formou um coral de pessoas idosas, que animava as celebrações com cantos carregados de fé, tradição e memória.
Sua doação não se restringiu ao trabalho voluntário. Contribuiu silenciosamente com a Igreja por meio de diversas doações materiais, como cadeiras para o altar, mesas e cadeiras para a catequese, o piso da parte frontal da igreja, entre outras ajudas que jamais buscou divulgar. Contudo, por justiça e gratidão, torna-se necessário tornar público esse testemunho de amor a Deus e ao próximo.
Amava profundamente a Deus e desejava que sua família e sua irmandade também O amassem. Com sua perseverança e exemplo, contribuiu inclusive para a conversão de sua irmã Catarina, que seguiu firme na fé até o fim de sua vida.
Hoje, podemos afirmar com serenidade, colocando em seus lábios as palavras do apóstolo Paulo:
“Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservada a coroa da justiça.” (2Tm 4,7-8)
Confiamos que o Criador misericordioso a acolheu em Seu Reino eterno.
Descanse em paz e seja feliz. Você merece.
Obrigada por tudo, mãe querida.
Texto assinado porIrmã Isa Carolina Poplavski

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