Caminheiro!
INSTITUTO SÃO ZYGMUNT FELINSKI
MEMORIAL DO IMIGRANTE POLONÊS
ESPAÇO DE DIÁLOGO COM O TEMPO E COM O POVO
8ª PARTE
Data: 22/02/2023
CAMINHEIRO!
VOCÊ SABE???
Áurea – RS – Capital Polonesa dos Brasileiros contempla duas Trilhas. Trilha do Imigrante e Resgatando a História. Trilhas sobre as quais existem luzes históricas abrindo caminhos e metas.
A origem das trilhas em Áurea – RS, vem do passado distante. Porém, o presente traz muito vivo a memória dos imigrantes poloneses vindos em 1912. As imensas dificuldades fizeram com que os mesmos deixassem a Pátria, o lar e partissem em busca do desconhecido. E a trilha era muito longa. Regada com lágrimas amargas. Único sustento era a fé. A consolação maior era a esperança de que Deus abriria um caminha maior.
Partiram! O primeiro passo foi muito difícil. Para onde vamos? O que encontraremos? Quais as armadilhas, as penumbras e noites escuras nos esperam?
A travessia do Atlântico durou cerca de 30 dias e foi bastante desconfortável e cheia de inquietações a respeito do futuro no Brasil. Nossos antepassados algumas vezes tiveram que passar fome e outras necessidades. As conversas misturavam saudade, esperança, tristeza e ansiedade. Apesar do desconforto e más condições os imigrantes aportavam o seu destino, tendo o navio ancorado primeiramente na Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, para um período de quarentena que era imposto à todos os imigrantes que chegavam ao Brasil. Todos ficavam encantados com as paisagens vistas da Ilha das Flores. Na Ilha das Flores as condições eram bem melhores com água e comida a vontade. Puderam tomar o seu banho e lavar a roupa. Depois disso, foram cadastrados e enviados a locais diversos, de acordo com suas habilidades para o trabalho.
A vida começava do zero! Do Rio do Janeiro, foram de navio para a cidade do Rio Grande – RS. depois embarcaram no trem que os levava no local do destino. Naqueles tempos, os trens não circulavam durante os sábados, domingos e feriados. Por isso, o trem ficou parado três dias na estação de Santa Maria – RS onde os imigrantes aproveitaram respirar e aproveitar a procurar uma igreja para rezar e participar da missa. Após tanto tempo foi uma alegria ter condições, pela primeira vez no Brasil participara da Santa Missa.
Chegando na pequena cidade de Erechim, a atual Getúlio Vargas, por alguns dias tiveram acomodação provisória, preparavam a própria refeição na fogueira, cozinhando alimentos, muitas vezes desconhecidos para eles, como o feijão preto, o pinhão e outros. As condições locais eram precárias, sem água encanada, e energia elétrica, sem assistência médica, com medo de serem atacados por animais desconhecidos que habitavam as matas ou de pegar alguma doença tropical. E isso sem entenderem a língua local e os costumes nativos, além de estarem expostos a condições climáticas muito diferentes das de seu país de origem. Ali ficavam alguns dias até que continuaram o caminho, em mulas de carga e a pé, abrindo picadas, trilhas na mata virgem fechada. As crianças percorriam o caminho carregadas pelas mulas ou cavalos, em balaios de taquara, um em cada lado no lombo do animal e, quantidade de crianças em cada balaio quanto era necessário. A condução dessa caravana era feita por tropeiros a serviço do governo brasileiro. Depois de muitas atribulações, chegavam ao destino final, as terras que o governo brasileiro tinha destinado para eles.
O lugar era inóspito, pois não havia casas para os imigrantes, nem qualquer forma de comércio ou organização social. A vida teve que começar do zero. Então saiam em busca de um terreno onde pudessem realizar seu sonho de serem donos de sua própria terra e construir sua propriedade. A primeira coisa que faziam era levantar uma choupana onde pudessem passar os primeiros tempos, até que fosse possível construir a primeira moradia. As tarefas eram assim distribuídas: As meninas ficavam encarregadas de colher mato seco para improvisar os colchões e as cadeiras para o descanso da família. A mata era fechada e havia árvores em abundância, os homens derrubavam as árvores que serviam para as primeiras construções. As mulheres, normalmente ajudavam na organização básica para a família se proteger do frio, chuva ou outras intempéries.
Apegados que eram à sua religião, sentiam muita falta do amparo espiritual e a assistência de um sacerdote. Logo iniciaram abrir trilhas com caminhos curtos para chegar a alguma igreja mais próxima.
As tradições sob a forma de canções, danças folclóricas e festas, algumas comidas, a religião católica e a língua polonesa permaneceram firme entre os imigrantes, ao mesmo tempo em que procuravam gradualmente ao longo das décadas adaptar-se ao modo brasileiro de viver. Às vezes, quando as lágrimas corriam pela face, de tristeza e saudade, reuniam-se para cantar, tocar os instrumentos: violino, pandeiro e gaita.










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