Caminheiro!

INSTITUTO SÃO ZYGMUNT FELINSKI
MEMORIAL DO IMIGRANTE POLONÊS
ESPAÇO DE DIÁLOGO COM O TEMPO E COM O POVO

8ª PARTE
Data: 22/02/2023
CAMINHEIRO!

VOCÊ SABE???


Áurea – RS – Capital Polonesa dos Brasileiros contempla duas Trilhas. Trilha do Imigrante e Resgatando a História. Trilhas sobre as quais existem luzes históricas abrindo caminhos e metas.

Todo caminheiro sabe que não existe caminho! O caminho se faz! Uma trilha abre caminho para quem dá o primeiro passo. E, passo a passo, pouco a pouco, tempo a tempo, o caminho se faz. A trilha deixa marcas, abre rastros, deixa símbolo, descobre os segredos da natureza, profetiza segurança no seguimento do caminho.


No tempo milenar surgiram trilhas em toda a COSMOLOGIA. Antes da formação do universo, o Criador Celestial já havia pensado em um “CAMINHO”, em uma direção ou trilhas para a humanidade. Percorreu com o seu povo pelo deserto; percorreu com os profetas, reis e líderes do povo de Deus; percorreu com a Sagrada Família de Nazaré, de norte a sul, de leste ao oeste do planeta terra a nossa casa comum. Visitou os caminhantes e andarilhos. A todos mostrou a perfeição das trilhas e caminhos possíveis do bem, da paz e da harmonia universal.

A origem das trilhas em Áurea – RS, vem do passado distante. Porém, o presente traz muito vivo a memória dos imigrantes poloneses vindos em 1912. As imensas dificuldades fizeram com que os mesmos deixassem a Pátria, o lar e partissem em busca do desconhecido. E a trilha era muito longa. Regada com lágrimas amargas. Único sustento era a fé. A consolação maior era a esperança de que Deus abriria um caminha maior.

Partiram! O primeiro passo foi muito difícil. Para onde vamos? O que encontraremos? Quais as armadilhas, as penumbras e noites escuras nos esperam?


A partida foi sofrida. Entre lágrimas, abraços e beijos, a despedida tinha um caráter definitivo, pois muitos dos que ficaram não acreditavam que veriam de novo aqueles que partiam, seja pelos riscos da viagem ou pelos perigos, tanto os imaginados quanto os reais da terra selvagem e desconhecida que os aguardava. “Z BOGIEM! NIECH BÓG WAS PROWADZI”! Era a despedida cheia de tristeza na partida em busca da sobrevivência.


A travessia do Atlântico durou cerca de 30 dias e foi bastante desconfortável e cheia de inquietações a respeito do futuro no Brasil. Nossos antepassados algumas vezes tiveram que passar fome e outras necessidades. As conversas misturavam saudade, esperança, tristeza e ansiedade. Apesar do desconforto e más condições os imigrantes aportavam o seu destino, tendo o navio ancorado primeiramente na Ilha das Flores, no Rio de Janeiro, para um período de quarentena que era imposto à todos os imigrantes que chegavam ao Brasil. Todos ficavam encantados com as paisagens vistas da Ilha das Flores. Na Ilha das Flores as condições eram bem melhores com água e comida a vontade. Puderam tomar o seu banho e lavar a roupa. Depois disso, foram cadastrados e enviados a locais diversos, de acordo com suas habilidades para o trabalho.


A vida começava do zero! Do Rio do Janeiro, foram de navio para a cidade do Rio Grande – RS. depois embarcaram no trem que os levava no local do destino. Naqueles tempos, os trens não circulavam durante os sábados, domingos e feriados. Por isso, o trem ficou parado três dias na estação de Santa Maria – RS onde os imigrantes aproveitaram respirar e aproveitar a procurar uma igreja para rezar e participar da missa. Após tanto tempo foi uma alegria ter condições, pela primeira vez no Brasil participara da Santa Missa.


Chegando na pequena cidade de Erechim, a atual Getúlio Vargas, por alguns dias tiveram acomodação provisória, preparavam a própria refeição na fogueira, cozinhando alimentos, muitas vezes desconhecidos para eles, como o feijão preto, o pinhão e outros. As condições locais eram precárias, sem água encanada, e energia elétrica, sem assistência médica, com medo de serem atacados por animais desconhecidos que habitavam as matas ou de pegar alguma doença tropical. E isso sem entenderem a língua local e os costumes nativos, além de estarem expostos a condições climáticas muito diferentes das de seu país de origem. Ali ficavam alguns dias até que continuaram o caminho, em mulas de carga e a pé, abrindo picadas, trilhas na mata virgem fechada. As crianças percorriam o caminho carregadas pelas mulas ou cavalos, em balaios de taquara, um em cada lado no lombo do animal e, quantidade de crianças em cada balaio quanto era necessário. A condução dessa caravana era feita por tropeiros a serviço do governo brasileiro. Depois de muitas atribulações, chegavam ao destino final, as terras que o governo brasileiro tinha destinado para eles.


O lugar era inóspito, pois não havia casas para os imigrantes, nem qualquer forma de comércio ou organização social. A vida teve que começar do zero. Então saiam em busca de um terreno onde pudessem realizar seu sonho de serem donos de sua própria terra e construir sua propriedade. A primeira coisa que faziam era levantar uma choupana onde pudessem passar os primeiros tempos, até que fosse possível construir a primeira moradia. As tarefas eram assim distribuídas: As meninas ficavam encarregadas de colher mato seco para improvisar os colchões e as cadeiras para o descanso da família. A mata era fechada e havia árvores em abundância, os homens derrubavam as árvores que serviam para as primeiras construções. As mulheres, normalmente ajudavam na organização básica para a família se proteger do frio, chuva ou outras intempéries.

Apegados que eram à sua religião, sentiam muita falta do amparo espiritual e a assistência de um sacerdote. Logo iniciaram abrir trilhas com caminhos curtos para chegar a alguma igreja mais próxima.

As tradições sob a forma de canções, danças folclóricas e festas, algumas comidas, a religião católica e a língua polonesa permaneceram firme entre os imigrantes, ao mesmo tempo em que procuravam gradualmente ao longo das décadas adaptar-se ao modo brasileiro de viver. Às vezes, quando as lágrimas corriam pela face, de tristeza e saudade, reuniam-se para cantar, tocar os instrumentos: violino, pandeiro e gaita.


Não havia escolas na região. Os próprios pais ou irmãos mais velhos ensinavam a crianças a ler e escrever em polonês. O acesso para a educação na escola, demorou por muito tempo.



Próximo postagens teremos alguns depoimentos dos Imigrantes.

Irmã Isa Carolina

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